domingo, 12 de abril de 2015

Eu, o Ponto


Sou um quase nada, apenas um substantivo masculino. Nem biforme e nem uniforme. Acho-me uma exceção. Meu oposto, a ponta, não é minha variação genérica. Eu sou eu e ela é ela. Mas numa genitura assexuada, ela pode me gerar.

Numa mitose vertical, sou prenúncio na frase e divisão na matemática. Na horizontal, fui simplesmente banido e extirpado da ünica letra que me aceitava para um descanso. Oxalá não resolvam, um dia, decapitar o “i” e o “j”! No “g” sou o ponto mais cobiçado. Se a pausa é média, amasio-me com a vírgula. Se há questionamento, armo-me de uma bengala. Na emoção sustento uma barra vertical. Triplico-me nas reticências.

Esfera de diâmetro zero. Sou ponto de partida e sou ponto final. Depois de mim, mais nada. Sou ponto de ônibus e ponto de parada. Ponto de táxi e ponto de encontro. Sou ponto cardeal, sou ponto no firmamento. Ponto de luz, ponto escuro e ponto cego. Posso ser ponto de equilíbrio e ponto fixo, mas também ponto pacífico, ponto estratégico, ponto de referência, ponto de apoio, ponto de vista e até mesmo, ponto falso. Sou ponto de fusão, ponto de ebulição, ponto de bolha e ponto crítico. Ainda sou ponto eletrônico e ponto elétrico. Se ponto turístico, sou diversão. Se ponto 50, mato. Ponto de bala.

Se ponto fraco, mas também ponto de honra e ponto forte. Ponto importante e ponto de discussão. Estava a ponto de me esquecer do ponto em branco. Ponto neutro e ponto morto. Há cartão de ponto e há ponto facultativo. Há os que, quase sempre, chegam em ponto. Se alguns entregam os pontos, outros não dão ponto sem nó. Se tiver quem põe ponto nos iis, há quem dorme no ponto. Se alguns fazem ponto na vida, outros degustam a vida ao ponto. Estes vão de ponto a ponto.

Posso na costura ser o ponto da linha. Sou ponto no tricô e ponto no crochê. Ponto baixo, ponto alto, ponto cheio, ponto cruzado. Ponto aberto e ponto fechado. Sou ponto globalizado, russo, francês, português. Sou ponto que sobe e desce na tabela e ponto nas competições. Ponto na bolsa de valores, ponto comercial e ponto de venda. Ponto sorteado e ponto na nota do aluno.

Modéstia às favas! Sou o ponto e pronto!


Martins

14/08/10             

2 comentários:

  1. Nossa, quanta coisa pode ser o ponto! Nunca havia pensado sobre... Não há mesmo razão para modéstia, rs
    Dê uma espiada em minha postagem de hoje... falei sobre seu dicionário de mineirês.
    Abraço!

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  2. http://minasdemim.blogspot.com.br/2015/05/o-que-significa-nemezzz.html

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